sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Agosto

Todo mês de agosto é mês de reflexão em minha vida, é o mês em que eu me recolho a minha ínfima e inconsistente existência. Reluto e luto contra tudo o que faço por obrigação e tento dar-me asas longas e fortes para alçar altos vôos e no recôndito mais entranhado de mim mesmo tento exorcizar meus demônios e expulsar minhas bruxas. É a tentativa de limpeza da alma pela longanimidade e reflexão.
Aí eu me olho nua e cruamente com a chibata em punho para auto flagelar não ao eu reprimido, mas aos desejos escondidos e contidos que se arvoram a explodir em altas luzes para fora de mim como se dissesse a mim mesmo isto é o que te cabe como premio a tua indecência flamejante que se precipitam pelos poros nas horas mais imprecisas de forma insidiosa.
Aí eu vou relembrando tudo o que deixei para trás em termos de felicidade e de tudo que abri mão, em minha vida, ao deixar de valorizar e priorizar o que me emociona, me tesa, me faz respirar mais forte e profundamente, um beijo mais molhado e libidinoso que transformei num selinho de irmão, uma aventura desvairada cheia de emoção e sem previsão de como será o término que se transformou num fim de semana inócuo, a falta de escrúpulo para deixar aflorar o selvagem que está enjaulado dentro de mim, por medo, puro medo de reações de pessoas que nada tem a ver comigo, que não vivem minha vida, que sequer apóiam minhas insanidades.
E vou tocando em frente essa boiada de sentimentos que já pisotearam toda a grama verde de meu peito sujou toda água límpida do meu coração e transformaram a paisagem exuberante dos meus sonhos em concreto.
E eu penso cá com meus botões: Isso jamais será recuperado.
Mas eu posso desenhar novos caminhos, novos mapas que possam me levar para um lugar sereno e calmo, onde eu possa clarear as idéias e colocar em prática a leviandade da alma e me permitir rasgar todos os tratados imbecis que me prendem a normas que eu não criei e nem quero pra mim.
Eu quero somente poder me expressar de maneira saudável e incontida a alegria de viver e ser livre para viver. Eu quero poder abraçar sem correr o risco da falta de calor, de poder dizer que eu amo sem me ressentir do julgamento impreciso e sem convicção de meia dúzia de juízes de coisa alguma.
O meu tempo urge e ele é impiedoso, não teme e nem para, simplesmente segue seu curso e se esvai pelo caminho sombrio da minha própria ignorância.
“Quem não se valoriza ignora a si mesmo.”
Assim é o mês de agosto na minha vida, dura realidade, luta desigual.

Eduardo Batbuta 13/08/2010

2 comentários:

Márcio Luiz Soares disse...

Oi, Dú.
Bastante expressivo este seu desabafo, seu depoimento de si mesmo e o que os sentimentos e emoções representam para você. Pensando em tudo o que escreveu, já que gosto de refletir, foi inevitável não fazer comparações comigo. E tem uma coisa que concluí faz muito tempo: há momentos que temos que ceder, abrir concessões, para nós mesmos ou para os outros, diante de tudo o que a gente sabe a nosso respeito, de nossos princípios e ao fazer isso tem se a impressão que a gente não se valoriza, mas é justamente o contrário. E por tentar facultar os sentimentos que podem advir dessa concessão, a gente coloca em xeque: ceder ou ignorar aquilo que nos incomoda ou nos aflige? A decisão pode ser difícil ou não, no entanto, ambas dão indícios de que queremos paz, ou trégua, ou simplesmente de que é melhor deixar de lado. Portanto, Dú, valorizando a si mesmo, a chibata que mencionou deveria ficar de fora da sua história, da sua vida. Pense nisso.
Abraço

Eduardo Batbuta disse...

A sua resposta é no minimo brilhante, muito obrigado pelo excelente comentário. Grande abraço.